Transcrição: [Vinheta]
Agora: ONCB Entrevista. A Rádio ONCB dá voz a convidados especiais. Assuntos diversos, inclusão e acessibilidade. ONCB Entrevista.
Gustavo Torniero:
O projeto Avenida Paulista às Cegas, na cidade de São Paulo, oferece um roteiro de bicicleta inclusivo com o objetivo de apresentar obras de arte e prédios importantes da avenida para pessoas cegas e com baixa visão, entre outros públicos. A iniciativa tem, inclusive, réplicas táteis em miniatura e intérprete de libras.
Eu sou Gustavo Torniero e converso com Flávia Mariano, uma das responsáveis por esse projeto. Flávia, seja bem-vinda à rádio ONCB. Como esses recursos inclusivos, como é o caso das réplicas táteis, foram desenvolvidos para esse projeto?
Flávia Mariano:
Olá, Gustavo. De forma bem resumida, o Avenida Paulista às Cegas vem, na verdade, com base no Santos às Cegas, que é idealizado pelo Renato Frosch. Mas nós dois, em parceria com o SESC Avenida Paulista, trouxemos a mesma ideia de projeto, só que ampliando a acessibilidade, a inclusão, porque nós podemos atender pessoas com baixa mobilidade, deficiência física, pessoas surdas, porque tem intérprete de Libras.
E, na construção da maquete, a gente, no ano passado, fez oficinas durante dois meses, às quintas-feiras, para construção dessas maquetes em parceria com algumas pessoas que puderam participar. E a maquete é feita com impressora 3D. Tem todo um projeto por trás, que é do mundo maker. E a gente faz de uma forma acessível, colocando textura, contraste de cores, tem o Braille, tem o texto em tinta e com fonte ampliada do que é aquela maquete. Tem, também, a questão da escala, que é muito importante nessa construção imagética das pessoas, principalmente com deficiência visual, mas que todos se beneficiam.
Gustavo:
Flávia, vocês já realizaram esse projeto algumas vezes. Qual tem sido a recepção do público com e sem deficiência dessa experiência?
Flávia:
Felizmente, as reações são as mais positivas possíveis, são diversas histórias. Já estamos na sexta saída com esse projeto. Nós tivemos três saídas no ano passado, quatro já esse ano. Cada dia de passeio são duas saídas por evento. Nós já atendemos quase cem pessoas de forma direta e indireta. E a gente recebe um retorno muito positivo, sem brincadeira, de pessoas que enxergam, pessoas com deficiência, sem deficiência. Do público, nós já atendemos pessoas surdocegas. E todo mundo fica encantado, não só pela maquete, mas a gente também tem todo um cuidado no atendimento com as pessoas, a experiência em si de pedalar na Paulista. Às vezes a pessoa não pode pedalar porque tem baixa mobilidade e ela vai curtindo mesmo assim.
A gente teve uma pessoa que tem encurtamento de pernas, a Alessandra, e ela queria pedalar handbike, ela falou assim: "Poxa, mas eu não vou pedalar?". Eu falei: "Olha, infelizmente eu não tenho handbike agora, mas você vem e faz o passeio com a gente". E no final ela falou assim: "Eu fiquei encantada, porque eu não sabia de tantas coisas e eu gostei demais do projeto". E, assim, tantas outras pessoas e histórias que daria para contar aqui, são infinitas.
Gustavo:
Eu espero que esse projeto seja replicado, inclusive, em outras cidades, porque essa acessibilidade, inclusive com réplicas táteis, acessibilidade para pessoas com diferentes tipos de deficiência e esse acolhimento é muito importante para o acesso à cultura e informação. Flávia, obrigado de novo pela disponibilidade em conversar aqui com a gente e deixe o convite, então, para que os ouvintes conheçam mais sobre essa iniciativa.
Flávia:
Eu que agradeço, Gustavo, e espero, sim, que esse projeto possa crescer muito ainda. São mil possibilidades. Que ele vá Brasil afora, mundo afora. Ele é meu xodozinho, não faço sozinha. Não é só o Renato Frosch comigo, nós temos outros parceiros: Aldo Nakamura, com o Pedalando Sem Idade, Maurício Montiel, nosso maker que auxilia na construção das maquetes.
As próximas saídas que temos serão nos dias 14 de setembro e 14 de dezembro, às 8:30 e às 10:30. Pedimos a chegada com 30 minutos antes para a retirada de senhas para as bicicletas adaptadas. Mas caso a pessoa possa ir com a própria bicicleta, o próprio patinete, skate, ir a pé, também é possível. É só chegar. É possível atender também pessoas com cão-guia. Então uma das bicicletas a gente consegue atender, o cão-guia vai junto. Se tiver mais de um cão-guia, a gente consegue atender, ficar com o cão-guia e a pessoa vai pedalando. Então, é um passeio que eu espero que as pessoas possam aproveitar muito e muito. Obrigada.
Gustavo:
Essa foi a Flávia Mariano. Ela é audiodescritora e uma das responsáveis pelo projeto Avenida Paulista às Cegas, que oferece um roteiro de bicicleta inclusivo para apresentar obras de arte e prédios importantes da avenida para as pessoas com e sem deficiência. Aqui falou Gustavo Torniero para a rádio ONCB, o som de todas as vozes.
[Vinheta]
Você ouviu ONCB Entrevista na Rádio que é o som de todas as vozes!